
Em maio de 2025, durante uma passagem por Brasília, visitei o V12 Auto Club. O espaço fica em Brasília, perto do aeroporto, e reúne um acervo permanente dedicado à cultura automotiva, curado com critério, que documenta décadas de engenharia, design e comportamento de mercado.
O nome V12 é uma declaração de princípio: a configuração de motor que, por mais de um século, representou o topo da engenharia automotiva. Quem batiza um espaço assim está dizendo o que valoriza.
Índice
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A linha do tempo da Volkswagen no Brasil: o que ela realmente mostra
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Responsabilidade social: visitas guiadas para escolas públicas
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Como o V12 se compara a outros acervos automotivos no Brasil
O que é o V12 Auto Club e quem está por trás dele
O V12 Auto Club Brasília é um museu automotivo privado fundado por Gilmar Farias e Laércio Coelho, empresários do setor de concessionárias Volkswagen no Distrito Federal. O acervo reúne mais de 120 automóveis e 70 motocicletas, com exemplares nacionais e importados que cobrem desde a década de 1920 até os anos 2020. A visitação é aberta ao público, com ingresso pago.
A origem do projeto importa para entender o que se encontra lá dentro. Farias e Coelho não são investidores que compraram uma coleção pronta. São entusiastas que, ao longo de décadas, garimparam veículos, restauraram unidades e construíram relacionamentos com outros colecionadores. O resultado é um acervo que reflete gosto pessoal e conhecimento técnico, construído com a meticulosidade de quem é apaixonado.
O galpão é amplo, bem iluminado, com piso limpo e circulação organizada por setores temáticos. Cada veículo tem ficha técnica com dados de motorização, ano de fabricação, curiosidades de produção e, em alguns casos, histórico de propriedade. A curadoria não se limita a alinhar carros bonitos: há uma narrativa que conecta os setores.

O acervo: o que se vê e por que cada setor importa
Esportivos brasileiros e o caso do Lobini H1
Entre os destaques do acervo está o Lobini H1, produzido em 2007 pela Lobini, fabricante artesanal de Caxias do Sul. O H1 merece atenção porque representa algo raro na indústria automotiva brasileira: a tentativa de criar um esportivo de chassi tubular, motor central-traseiro e peso abaixo de 700 kg, usando mecânica Volkswagen AP. A produção total não passou de poucas dezenas de unidades. Encontrar um exemplar à venda hoje exige paciência e contatos.
O carro virou item de acervo por uma razão concreta. Não existe linha de produção para reposição de peças exclusivas da carroceria. A fibra de vidro do H1 foi moldada em ferramental próprio da Lobini, e a empresa encerrou atividades. Cada unidade sobrevivente é, na prática, uma peça de engenharia brasileira que não pode ser replicada. A raridade do acervo tem o poder de enriquecer o valor de mercado.

Picapes clássicas nacionais: Ford F-1000, Chevrolet C-14 e C-10
O setor de picapes reúne modelos que contam a história da industrialização brasileira. A Ford F-1000, produzida entre 1979 e 1998, foi a picape diesel mais vendida do país por quase duas décadas. A Chevrolet C-14, fabricada a partir de 1964, marcou a entrada da GM no segmento de utilitários nacionais. A C-10, sua sucessora, consolidou a presença da marca no campo e nas cidades do interior.
Os exemplares expostos variam entre restaurações completas e unidades preservadas com originalidade de fábrica. Para quem avalia veículos antigos profissionalmente, essa distinção é fundamental: um carro restaurado pode ser visualmente perfeito, mas um carro original, com pintura de fábrica e interior íntegro, costuma ter valor de mercado superior entre colecionadores sérios.


Muscle cars americanos: Corvette Pace Car e Camaro de corrida
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O acervo inclui exemplares de Corvette em versão Pace Car e Camaro preparado para competição. A presença desses carros no Brasil tem contexto próprio. A importação de veículos foi proibida entre 1976 e 1990, o que significa que qualquer muscle car americano em solo brasileiro ou entrou antes da proibição, ou foi importado após a abertura. Cada exemplar carrega uma história de logística, tributação e, em muitos casos, adaptação mecânica.
Esse é o tipo de detalhe que separa um museu de uma garagem.
Hot rods e rat rods: duas filosofias opostas no mesmo galpão
O V12 dedica um setor a hot rods e rat rods, e a proximidade física entre eles é didática. Hot rods partem de carroceria original (geralmente americana, décadas de 1930 e 1940) e recebem motorização moderna, suspensão rebaixada e acabamento impecável. O objetivo é desempenho com refinamento. Os rat rods seguem caminhos opostos: o acabamento é propositalmente rústico, com pátina, soldas aparentes e peças de origens diversas. O objetivo é atitude, não perfeição.
Para quem não conhece a cultura, ver os dois lado a lado esclarece mais do que qualquer explicação teórica. A construção de hot rods no Brasil ganhou força a partir dos anos 2000, com oficinas especializadas em São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul importando carrocerias e adaptando motores nacionais, principalmente Chevrolet 250-S e Opala 4.1.

Motocicletas: Suzuki, Honda, BMW e Royal Enfield
O acervo de motos ultrapassa 70 unidades e inclui desde modelos japoneses de produção em massa até exemplares europeus com tiragem limitada. A Royal Enfield, por exemplo, é uma marca britânica com produção indiana que, nos últimos anos, ganhou mercado no Brasil entre motociclistas que buscam estética clássica com mecânica acessível. A presença de modelos BMW de diferentes décadas permite acompanhar a evolução técnica da marca: de motores boxer refrigerados a ar até os propulsores em linha mais recentes.

A linha do tempo da Volkswagen no Brasil: o que ela realmente mostra
Uma das seções mais relevantes do V12 Auto Club é a linha do tempo dedicada à Volkswagen no Brasil. Não se trata apenas de uma sequência de carros enfileirados por ano. É um registro visual e técnico de como uma única montadora moldou a indústria automotiva de um país inteiro.
Marcos que a linha do tempo permite identificar:
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1953: chegada dos primeiros CKDs (veículos desmontados para montagem local) ao Brasil.
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1959: inauguração da fábrica de São Bernardo do Campo e início da produção do Fusca nacional.
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1972: lançamento do SP2, esportivo projetado e fabricado exclusivamente no Brasil, com motor boxer 1.700 cm³.
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1980: encerramento da produção do Fusca (primeira fase), após mais de 3 milhões de unidades.
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1993-1996: retorno do Fusca à linha de produção, por iniciativa do então presidente Itamar Franco.
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2003: lançamento do Fox, último projeto desenvolvido integralmente pela engenharia brasileira da VW.
Para quem estuda o mercado automotivo brasileiro, essa sequência não é curiosidade: é contexto estratégico. A Volkswagen não apenas vendeu carros no Brasil. Ela criou a cadeia de fornecedores, formou mão de obra técnica e definiu padrões de produção que outras montadoras seguiram.
Objetos de época: o contexto além dos carros
O V12 exibe objetos que situam cada década representada no acervo: máquinas de escrever, telefones celulares dos anos 1990, rádios valvulados, latas de refrigerante e cerveja com embalagens originais, impressoras matriciais. A função desses itens é criar uma referência temporal para visitantes que não viveram determinada época e reforçam a memória de quem viveu.
O café interno funciona como ponto de parada durante a visita. O espaço é climatizado e permite descanso sem sair do ambiente do museu.

Responsabilidade social: visitas guiadas para escolas públicas
O V12 Auto Club mantém um programa de visitas guiadas gratuitas para escolas públicas do Distrito Federal. O foco declarado é cidadania, educação ambiental e valorização do patrimônio histórico. Crianças e adolescentes percorrem o acervo com monitores que contextualizam os veículos dentro da história brasileira.
Esse tipo de iniciativa tem efeito prático mensurável. Museus que recebem público escolar regularmente constroem relevância institucional que vai além do nicho automotivo, o que facilita parcerias, patrocínios e cobertura de imprensa. O V12 já foi tema de reportagens em veículos de grande alcance, o que amplia a visibilidade do projeto.
Como o V12 se compara a outros acervos automotivos no Brasil
O Brasil tem poucos museus automotivos abertos ao público com regularidade. O Museu do Automóvel de Curitiba, a Fábrica de Sonhos em Tiradentes e o acervo da FPT (antiga Fiat Powertrain) em Betim são referências, mas cada um tem escopo diferente. O V12 se diferencia pela amplitude: mistura veículos nacionais e importados, duas e quatro rodas, objetos de época e conteúdo educacional, tudo em um único espaço de visitação contínua.
Para o visitante que planeja roteiro, o V12 tem uma vantagem logística: a proximidade com o aeroporto de Brasília permite encaixar a visita antes de um voo ou logo após o desembarque. Poucos acervos no país oferecem essa conveniência.
Na cobertura da inauguração, o Diário do Poder chamou o espaço de “uma Disney para os amantes de carros“.
Vale a pena para quem não é entusiasta?
Sim, com uma ressalva. O V12 funciona melhor para três perfis de visitante: o entusiasta automotivo (que vai absorver cada ficha técnica), o visitante cultural (que aprecia museus e história industrial) e famílias com crianças curiosas (que se beneficiam dos objetos de época e da escala visual dos veículos). Para quem não tem nenhum interesse em carros ou história, a visita pode parecer longa.
O tempo médio de permanência gira em torno de uma hora e meia a duas horas. Visitantes com conhecimento técnico costumam demorar mais, especialmente nos setores de Volkswagen e esportivos brasileiros.
Informações práticas para planejar a visita
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Localização: Aeroporto Setor de Concessionárias e Locadoras, Complexo V12 Motors – S/N – Setor de Habitações Individuais Sul
Brasília – Distrito Federal -
Funcionamento: consulte os canais oficiais do V12 Auto Club para horários atualizados, pois há variação entre dias úteis e fins de semana.
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Ingresso: pago, com valores diferenciados para adultos, crianças e grupos escolares.
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Duração recomendada: entre 1h30 e 2h30, dependendo do nível de interesse.
Os dados acima podem mudar com frequência. Confira sempre as informações atualizadas no site oficial do V12 Auto Club.
Perguntas frequentes sobre o V12 Auto Club Brasília
O V12 Auto Club é um museu ou uma concessionária?
É um museu automotivo privado, sem vínculo comercial direto com a concessionária Volkswagen dos fundadores. Os veículos expostos não estão à venda. O espaço existe para preservação, educação e difusão da cultura automotiva.
Posso fotografar os carros durante a visita?
Sim. O V12 permite fotografias e vídeos para uso pessoal em todo o acervo. Produções profissionais ou comerciais podem exigir autorização prévia.
Crianças podem visitar?
Podem e são bem-vindas. O programa educacional do V12 recebe turmas de escolas públicas com frequência, e o acervo de objetos de época costuma prender a atenção de crianças e adolescentes.
Existe visita guiada?
Sim, para grupos escolares e, em datas específicas, para o público geral. A experiência de visitação guiada adiciona contexto que a visita livre não oferece.
Quanto tempo dura a visita?
Entre uma hora e meia e duas horas e meia. Entusiastas com interesse técnico tendem a permanecer mais tempo, especialmente nos setores de esportivos e na linha do tempo da Volkswagen.
O V12 fica aberto em feriados?
O funcionamento em feriados pode variar. A recomendação é verificar diretamente com o espaço antes de se deslocar.
Há loja de souvenirs ou café no local?
Há um café interno que funciona durante o horário de visitação. Sobre loja de souvenirs, a disponibilidade pode variar conforme a temporada.
Um acervo que documenta carros na linha do tempo
O V12 Auto Club Brasília não é o maior museu automotivo do Brasil em número de peças, nem pretende ser. O que o diferencia é a coerência narrativa: cada setor conta uma parte da história da indústria automotiva brasileira e de sua relação com o mercado global. Quem entra ali sai entendendo por que um Lobini H1 de 2007 tem mais relevância histórica do que muitos importados de valor superior, e por que uma picape F-1000 diesel merece o mesmo espaço que um Corvette Pace Car. Para quem estuda, coleciona ou simplesmente respeita engenharia bem executada, reservar duas horas em Brasília para essa visita é uma decisão que se justifica pelo que se aprende e pelo que se vê.



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